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  1. Cássio,

    Este post voltou a fazer-me pensar numa série de coisas no que respeita às relações que actualmente as pessoas estabelecem.
    Afinal temos mais meios, podemos estabelecer mais contactos à distância com menos gastos… E isso parece não fazer grande diferença no tentar colmatar o vazio afectivo que ao mesmo tempo é confessado com alguma regularidade quando as pessoas não podem encontrar-se. Pelo menos a mim acontece-me ouvir.

    Um tanto avulso:
    – Não será que cada vez temos menos tempo para o que realmente precisa de tempo?
    – Actualmente, e esta opinião resulta do que vejo à minha volta e leio, parece existir uma grande ânsia de as pessoas estabelecerem ligações, estarem sempre conectadas com algo, mas as mesmo tempo manter essa conectividade a um nível superficial, que não implique entrega, reciprocidade e partilha na verdadeira acepção da palavra.
    – E há as transformações inusitadas para mim. Em jeito de exemplo: “O que passará pela cabeça de pessoas que conhecemos há décadas deixar ‘Parabéns’ num chat, MSN, para substituir o contacto pessoal que estabeleciam sempre, sem que nada de extraordinário tivesse acontecido? Será que o distanciamento passou a ser mais confortável?
    Contudo, considero que as redes podem ser bastante úteis. Não as uso enquanto substituição do contacto presencial ou de outras formas de contacto mais pessoais, nem me agrada que o façam comigo.
    – Afinal, para o que não nos estamos nas tintas? – Para fazer ligação ao final do diálogo.

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    1. Isabel, muito obrigado pela leitura. Concordo consigo que as redes sociais cibernéticas apresentam imensas utilidades para a nossa vida quotidiana. Entretanto, ainda enxergamos os pontos cegos nas relações interpessoais por meio de computadores, mas não apenas.

      Como a Isabel escreveu, parece-me que alguns (muitos, de facto) tentam suprir carências afectivas. E, associado ao aspecto afectivo privado (embora publicitado), tentei jogar com uma fala da personagem Fonseca, quando este se considera informado desde que passou a usar o Facebook. Fonseca representa pessoas próximas a mim. Lembrei-me de um poema de Murilo Guimarães, intitulado “Ao Amigo do Fáscio”. Especificamente, refiro-me ao verso que diz que o indivíduo confunde notícia com opinião. Como alguns colegas meus, Fonseca toma as opiniões e as cusquices sobre a vida alheia como notícias. E, assim, preenche vazios existenciais e já se ilude com a “verdade” de que está ligado a tudo e a todos.

      Quando eu pensava o diálogo entre Silvano e Fonseca, vieram-me também alguns pensamentos em torno da conectividade em tempos recentes. Percebo certo fetichismo nas relações que algumas pessoas mantêm com as redes sociais cibernéticas e com outras pessoas nessas redes.

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    2. As vivências no espaço virtual têm cada vez mais interferido no ritmo da nossa vida quotidiana. Há quem viva mais no espaço cibernético do que fora dele. E, logo, não podemos dizer o que real e o que é virtual. Ambos confundem-se e, em alguns momentos, podem tornar-se sinónimos. E, se podem ser sinónimos, quando alguém percebe a troca do encontro físico dos parabéns pelo simples envio de emotions nos aplicativos de telefone ou das “salas de chat”?

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      1. Cássio, tenho muitas dúvidas que as redes sociais consigam suprir carências afectivas – mesmo quem joga assim, julgo que com alguma “rodagem” se apercebe do artifício – e penso que em vários casos, não sei se muitos, acentuam o vazio. Por causa da noção de poder ser um substituto.

        Ao nível pessoal, a tendência é para termos mais redes de amigos do que verdadeiras redes sociais. É muito mais raro associarmos pessoas desconhecidas ou das quais não tenhamos quaisquer referências. Ou seja, talvez procuremos mais o efeito-espelho do que a verdadeira discussão de ideias com argumentos diferentes dos nossos.
        E há uma parte perversa que me apercebo ser bastante alimentada. Trata-se da suposição de que se conhece a pessoa apenas pela linguagem utilizada e, pior, o controle que se tenta e julga exercer através das ‘coordenadas’ das postagens e se se tem o chat ligado.
        Confesso que por estas razões, muto recentemente, embarquei nessa contradição. Não tenho “amigos” desconhecidos, as publicações deixaram de ser públicas e o chat está ligado para um número muito reduzido. Ou seja, o ‘meu’ FB e Google+ estão longe de respeitar o conceito de rede social.
        Contudo, o blogue é acessível a todos.
        Penso que o universo dos blogues ainda é mais diferenciador em termos de ‘disciplina’, até de cordialidade.

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      2. Isabel, concordo consigo. Por vezes, essas redes acentuam as carências afectivas e de outras ordens.

        Da minha parte, assumo a falta de paciência com Facebook. Há algum tempo (já perdi a conta dos meses), eu suspendi o meu perfil naquela plataforma e sinto-me bem. Há vida com qualidade sem Facebook! 😀 Não obstante o apelo de familiares, amigos e colegas, eu resisto.

        O blogue tem-se mostrado um espaço desafiador e, ao mesmo tempo, rico para a prática da escrita e da leitura.

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  2. A conectividade entre as personagens e entre elas e o mundo é paradoxal. Tentei jogar com isto em relação ao significado dos seus nomes. Talvez tenha de desenvolver melhor num próximo momento.

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  3. mohameddoc13 diz:

    A anti-conectividade em pessoa.

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    1. Ele quase se chama Cássio.

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      1. Deve ser Silvano Querubim 😛

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