Da penetração ao gozo

Humedecida e rompida,
a terra abrigou a estirpe.
Lá está uma pivotante
forçando as entranhas
da terra manhosa.

Nalgum dia fruirei
do seu tronco largo,
da sua sombra,
do seu fruto.

A boca lambuzada,
os olhinhos revirados,
o corpo mole e relaxado
a saborear a polpa
no calor da rede.

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6 Comments Add yours

  1. Cássio, obrigaste-me a ir ver o significado de pivotante. 🙂 Sempre bom aprender mais um bocadinho!

    Também, não é comum encontrar rompida num poema.

    O título foi bem escolhido.
    Sabes que à primeira se presta a outra interpretação. 🙂
    E a escrita depurada assenta-te bem.

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    1. Isabel, obrigado pela expressão qualificativa “escrita depurada” (risos). Sim, bem sei que, de cara, um pode atrair-se (ou trair-se) pelo título, ops, pelo jogo metafórico do/no título. Foi pensado? Humm… sim, foi.

      Entretanto, assumo que, a princípio, escrevia algo que tinha muito de sexual a ser sugerido por meio de expressões botânicas. Depois, apurando-me sobre um ou outro verbete, vi-me insatisfeito com o esboço inicial e, então, conduzi-me ao bucólico. E, sinceramente, caiu-me melhor. 😀

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  2. Um maravilhoso poema, apenas.

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