fome (III)

evito pôr o cotovelo sobre a mesa.
com os olhos descaídos, leio.
com os braços oscilantes, escrevo.
os ossos doem-me a carne da alma.

levanto-me.
caminho pra-lá-pra-cá
a penar.

um café cá, um café lá,
praquê o dinheiro dá.

termo do expediente.

da biblioteca à casa,
a carne que me resta
dói-me os ossos da alma,
quando caminho
para pensar.

os meus ossos contraem-se-me.
as minhas carnes doem-se-me.
a minha alma refreia-se-me.
energias e sentimentos remexem-se-me
em sorvedouro.

o olhar turvo.
os passos vagarosos.
o estômago grita.

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