Gostaria da permissão para escrever-te um poema
só para mostrar que as palpitações não são vãs.

Às vezes, desafio-me, apanho a caneta,
anoto versos aqui e ali que dificilmente a ti chegarão.

Silencio-te a minha lira, quando sei que podes fugir.
Sinto que sim, quando te afastas para controlar do coração os sopros:
deixas-me aluado, confuso, enervado, solitário.

Just sincerely mine (II)

Less I say,
more I mask myself.
Any suffering,
any soul disturbance,
any misfortune
should be covered
as if just hints of
a tiresome day.

He or she or it
wants to
catch my weaknesses
and, afterwards,
turns them
meaningless;
or just to say,
those were mine,
these are my

bulls…

Several times
I don’t know how to

answer a simple question
indeed.

Perhaps, it’s not
that simple, it’s
complex, and…
captious.

— How are you doing today, then?

It may seem
kindness coming from
him or her or it,

but can most likely
be a strategy to

provoke my decay.
Through my words
what does

he or she or it
wish to
bring about?

Less I say,
more I mask
bulls-hit…
bullsh…
hints of tiresome days.

Just
sincerely
mine.

Just sincerely mine (I)

— How are you?

Less I say,
more I mask myself.
Any suffering,
any soul disturbance,
any misfortune
should be covered
as if just hints
of a tiredsome day.

He or she or it
wants to
catch my weaknesses.
Afterwards,
will turn them
meaningless,
or just to say
those were my shit.
Fucking bullshit!

Just
sincerely
mine.

Indeed, sometimes
I don’t 
know how to
answer a simple question.
Perhaps, it’s not
that simple, it’s
complex,
captious.

— How are you doing today, then?

It may seem
kindness of the interviewer
but could be a strategy to
provoke my decay.
What does
he or she or it
wish to pick up
along 
or through
my words?

Quando o tarô aconselha

— Não quero namorado, eu disse-lhe no dia em que o tarô aconselhava abrir o coração.

Apenas registando,
registrando,
registando,
estou sequelado.

— Não quero mais ninguém.

Apenas registrando,
registando,
registrando,
estou sequelado.

— Antes de resgatar-me a mim, não quero… — digo-me, quando o tarô aconselha abrir o coração.

é ele o culpado

não tenho endereço.
também não o tens tu.
desejado foste,
mas nunca aqui chegaste.

por ti depositei seis dinheiros,
mas nunca te pus as mãos.
nunca o teu corpo abri.
nunca nas tuas partes
imprimi a marca do meu suor.

e é ele o culpado.
kapa-dois-barra-lojadelivroeminglês,
o alfarrabista do instagram,
diz ter-te-me enviado,
mas não foi correio registado.

Poema do anojamento


nem alegrias
nem tristezas:

aquando
juízes trabucam como
atalaias e verdugos
a mercê dos imperialismos,
aparentemente caducos, mas,
a todo o momento,
de sobreaviso para o bote
(e sempre há a chande de mais um,
do próximo golpe.);

aquando
magistrados tramam
ódios contra
os pobres,
os oprimidos,
os subalternos e
os seus parcos representantes;

aquando
togados se convertem
nos mais vis
comissários da desordem;

aquando
os da Justiça pelejam
para encarcerar
a esperança.


anojamento.

 

Da penetração ao gozo

Humedecida e rompida,
a terra abrigou a estirpe.
Lá está uma pivotante
forçando as entranhas
da terra manhosa.

Nalgum dia fruirei
do seu tronco largo,
da sua sombra,
do seu fruto.

A boca lambuzada,
os olhinhos revirados,
o corpo mole e relaxado
a saborear a polpa
no calor da rede.