Decisão

Homem?
Mulher?
Homulher?
Mulhomem?

refrigerante

símbolo de consumo patrocinador de tudo quimera de pertencimento sabor especial ilusão, destruição, conexão… quiçá transformação a flora intestinal transtornada pela fome, sede, ambição do capitalismo. eu não bebo o sistema, mas ele todos devora.

impérios rotos

Através de sujeitos machucados com as suas trajetórias contadas, narradas, debulhadas, olhos voltaram-se a si, arrefecendo belicosas almas, fraturando alheias epopeias, esquadrinhando peças de impérios rotos.

Writer’s Block I

no coffee can without light make right the left side of a brain wakes up no coffee can even cups likewise with milk no coffee can frustrating so much more without vice what should i do to write right?

A Deep Dive

In my solitude I need something almost recklessly to live for. Tones of skin, pieces of color, floods of blood, tsunami of lives, all to die. Please, help me. Don’t let me go! I’m diving in your memories.

O Vento

O vento jogando-se, espalhando-se, perfumando-se como folhas outonais, como aromas primaveris, como embriaguezes pluviais, como uma mão fálica e aveludada e invasiva e perseverante de movimentos incessantes e progressivos e voltívolos, cadenciados e até… furtivos. O vento vem-se em mim, por dentro, afagando-me, ao todo, usurpando-me, por fim, fecundando-me. O vento tem-me no fundo alojado sementes a germinar.

Fragmento de Carinho*

Implorar afeto é difícil aceitar. Mas é corajoso. Pela tarde inteira, implorei por um abraço singelo, uma migalha de sentimento. Meu olhar só suplicava de carinho um fragmento que dos anseios me salvasse. À tarde, implorei e, por fim, um sorriso recebi. * Escrito em parceria com Illa Ramos.

Entre solidões

Sob a benção da burguesia divina, a minha razão está dominada. Entre solidões e lutas palpáveis, o meu coração dilacera-se por um amor inimaginável. Em plagas de calores que influenciaram as minhas origens, encontro uma ilha como companhia. Será que sou Saraha? Ou só um corsário, vitimado por angústias identitárias, a desperdiçar a flecha lançada?

Nunca me esqueça

Tenha-me, ao menos, na lembrança como um presente de Iemanjá, que, naquela noite estranhamente encantada, me levou até você, que na praia me esperava. Esqueça-se nunca de mim, nem que me tenha como nada. Nada que lhe faça bater tão forte o coração, a ponto de, até mim, mover-se para beijar-me a testa, antes de…