Cara feia

“Que cara feia,” disse a encarar-me, “mas que cara feia, hein!”

Sem acanhamento, observava-me a alguma distância e, antes de cruzarmo-nos, mas já bem próximos, proferiu a frase em alto e bom som. Sem dúvida, tinha-me como destinatário. Por mais que eu me quisesse enganar, aquelas palavras à queima-roupa, quando os nossos corpos se cruzaram e nos encaramos, asseguraram-me que a feieza era minha.

Por vezes, sou lento, muito lento em perceber o que me querem dizer. Interpreto literalmente as frases. Após algum tempo, que pode significar minutos ou horas, recordo do facto, da frase, da expressão do interlocutor, do contexto… Eureca!

De imediato, busquei o meu reflexo numa vidraça. Temi ter a cara torta, paralizada. Um AVC ou qualquer coisa que me tivesse provocado o tal semblante. Fui até a casa a observar a minha imagem refletida em qualquer superfície minimamente espelhada que eu encontrava pela frente.

Não estava paralisado o rosto. Nenhum sinal de AVC nem de qualquer outro problema. Era apenas uma face sisuda, preocupada, austera (e ocupada com a austeridade), uma aparência grave.

A meu tempo, — cujos ponteiros, por vezes, se movem em sintonia com os meus pés —, consigo passar das denotações às conotações para, enfim, entender as pessoas através das palavras, mas também para além da superfície do texto. Então, à porta da casa, deduzi que aquela mulher me quisera perguntar: «Mas qual o motivo dessa cara tão séria?»; ou, em tom amistoso, quisera aconselhar: «Muda a cara e acalma o coração, pois dias melhores virão.»

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Partilhando a alegria da primeira vez: a perda do “cabaço” de novo

Hoje vim aqui partilhar com vocês a alegria da primeira vez. Não foi inocentemente que pus como subtítulo “a perda do ‘cabaço’ de novo”. Adianto-me a dizer que espero não ferir suscetibilidades. Como vocês devem saber, no Nordeste do Brasil, a expressão “perder o cabaço” é, em geral, vulgar e chula, usada para referir à perda da virgindade. No entanto, o verbete possui, ao menos, quatro acepções. Até nome de peixe é!

A minha intenção é mesmo partilhar uma alegria com vocês. E uso aqui cabaço metaforicamente para registrar o meu desvirginar ante uma nova oportunidade que a vida me ofereceu. Sim, novas oportunidades, novos desafios na vida promovem, em alguma medida, um desvirginar. Então, compartilho a minha primeira experiência à frente das câmeras, sob a direção de Murilo Guimarães, escritor, realizador de vídeos, colaborador da Tribuna do Alentejo e doutorando do Instituto de Ciências Sociais da Universidade de Lisboa (Para conhecer a sua produção, visite o seu blogue. Clique aqui.).

Foi há aproximadamente um ano que Murilo convidou a mim, a Amanda Guerreiro e a Terêncio Lins, para participarmos de um videoclipe. No vídeo, Amanda representou a Fascista Modernosa; eu, o Fascista Machão; e Terêncio foi o responsável por dar voz ao texto que incorpora uma forte crítica à maneira como temos sido manipulados e como temos manipulado o contingente de informações que nos chegam por meio dos agentes formadores de opinião, incluindo as plataformas de rede social, como Facebook, por exemplo. As filmagens deram-se em alguns locais das freguesias de Avenidas Novas, Campo Pequeno e Entre Campos, em Lisboa.

Convido a todos vocês a assistirem ao videoclipe “Ao Amigo do Fáscio”, que foi ontem relançado no YouTube. Espero que gostem do trabalho e, se eu não estiver pedindo demais, ficaria muito grato se dessem uma curtida e nos ajudassem a divulgar o trabalho.

 

Ainda aproveito o momento para convidá-los a se inscreverem no canal do Youtube de Murilo Guimarães, no qual este e outros vídeos estão disponíveis (Clique aqui.).

Juro que, se eu ficar famoso, dou um autógrafo. Brincadeirinha! Beijossssss. 😀