Entre solidões

Sob a benção da burguesia divina,
a minha razão está dominada.
Entre solidões e lutas palpáveis,
o meu coração dilacera-se
por um amor inimaginável.
Em plagas de calores
que influenciaram as minhas origens,
encontro uma ilha como companhia.
Será que sou Saraha?
Ou só um corsário,
vitimado por angústias identitárias,
a desperdiçar a flecha lançada?

Nunca me esqueça

Tenha-me, ao menos, na lembrança
como um presente de Iemanjá,
que, naquela noite estranhamente encantada,
me levou até você,
que na praia me esperava.

Esqueça-se nunca de mim,
nem que me tenha como nada.
Nada que lhe faça bater tão forte o coração,
a ponto de, até mim, mover-se
para beijar-me a testa,
antes de dormir.

Sei do seu cansaço,
dos seus objetivos
sempre maiores,
mas apenas lhe peço:
esqueça-me nunca.

Naquela noite,
a brisa jogava-me aos seus braços,
enlaçando-nos num terno amasso.
E, assim, por todos os tatos
em nossas almas digitalizados,
eu de você nunca me esquecerei.