Dia 4 de Outubro

Duas esquinas. Exatamente duas esquinas alcançadas no trajeto da morada dos meus pais ao barbeiro. Um homem sentado numa cadeira de balanço, feita de ferro, com assento e encosto de palha entrançada, debaixo de uma varanda que protegia a fachada da residência.

Por vezes, vínhamos da universidade, parávamos e sentávamos ali, debaixo da varanda, a conversar e a esquecer as horas. Depois de longa resistência a interromper o papo, despedíamo-nos com a certeza de que, se poupássemos minutos imediatos, teríamos outros tantos para usufruir na jornada seguinte. E, assim, lá estávamos no outro dia… e no outro… e no outro… se brincasse, a semana toda.

Era a nossa amizade ainda incipiente que tecíamos. Com frequência, a sua mãe, mesmo cansada e meio adormecida, surgia à porta, a recordar que estava tarde. A minha mãe geralmente levantava ao ouvir a chave na porta. E, então, lembrava-me de que já era bem tarde para eu estar na rua e que ela, a minha mãe, ficava preocupada até o meu retorno.

Existiu quem, com malícia, perguntasse “Que amizade é essa, hein?”, para ouvir como resposta o silêncio seco. Olhares julgadores de familiares e vizinhos, entretanto, não nos impediram de ligarmo-nos em uma singela e duradoura ligação afetiva.

Os anos passaram-se e dividimos angústias e alegrias por motivos diversos. Foram os namoricos fortuitos e sem futuro, as falsas amizades, as verdadeiras também, as relações com colegas de trabalho… entre tantos assuntos que preenchiam as horas de conversa já não só na calçada da sua casa.

Alguns eventos marcaram datas intensamente. Em consequência, fortaleceram a relação através do apoio emocional que nos exigiram de um para o outro.

Foi assim quando a sua mãe adoeceu pela última vez. Tudo ocorreu de súbito: de um simples ferimento que desencadeou um caminho sem volta até o trágico momento em que a autoridade médica apareceu a dizer “Não teve mais jeito.” Daí, em meio a todo o luto, os procedimentos necessários ao sepultamento: do translado do corpo até o enterro na pequena cidade do interior, a cidade natal da mãe falecida.

Acompanhei-o sempre que pude. Vaivéns entre a casa, o trabalho e o hospital onde estavam. Às vezes, quando não podia ausentar-me do trabalho, lá estava ao seu lado, através da sintonia telepática ou com o auxílio da tecnologia.

Houve momentos que causaram tensões devido a divergências de opinião e de tomada de decisão. Mesmo assim, tivemos o discernimento de deixar a razão, digo, a amizade prevalecer.

Foi assim quando me confessou que uma parte dos seus ganhos era destinada à manutenção de vícios e privilégios do pai e do irmão. O primeiro ameaçava-o: se não desse dinheiro, vendia a casa. E, como o imóvel era a coisa mais importante deixada pela mãe, o meu amigo esforçava-se para protegê-la e, por isto, cedia às chantagens paternas. O segundo casou-se num momento da vida, teve uma filha, separou-se e, conforme orientação da Justiça, passou a pagar uma pensão à mãe da criança. No entanto, atrasava o pagamento dessa obrigação paterna e, sob o risco de ser preso, induzia o irmão, o meu amigo, à assunção daquele compromisso.

Eu protestava sem sucesso. Não é justo que você trabalhe para manter vícios alheios. Quem quer beber e farrear por aí que ponha a mão no bolso. Quem fez o filho que o alimente. Um absurdo, a meu ver, pois tanto o pai quanto o irmão saíam por aí, bebendo, comendo, gozando… E ele trabalhando, trabalhando, trabalhando, para ser desrespeitado dentro da própria casa. Somente depois do seu falecimento, eu soube que o seu pai o expulsou de casa, por não aceitar a sua sexualidade. É assim: há quem despreze o filho, mas não largue o osso, digo, o dinheiro do filho. O seu pai era assim.

“Não ceda às chantagens”, disse-lhe. Como professores, dedicávamos a maior parte do dia à sala de aula, por vezes três expedientes distribuídos em diferentes escolas, para ganhar um pouco mais ao fim do mês. “No fim, você morre e eles ficam aí”, acrescentei umas tantas vezes. E, infelizmente, foi o que sucedeu em Janeiro de 2013.

Estava eu no Gana, a trabalho. Nós não nos comunicávamos com a mesma frequência. Não raramente telefonei aos meus pais e fui indagado sobre o meu amigo. Preocupados, diziam-me: “Estão comentando que está muito doente. Você tem falado com ele? Está sabendo de alguma coisa?” As tentativas de contato acumularam-se, resultando num hiato quase eterno. Entretanto, eu já sabia que ele padecia das consequências de alojar um vírus tão nocivo em seu organismo, bem como sofria por negar a si o tratamento.

Meados de 2012, estive de férias no Brasil. Percebi os seus estrondos pulmonares, desconfortos intestinais, redução de peso repentina… Indaguei-lhe sobre as causas daqueles sintomas. Desconversou e, ante à minha insistência para verificar a presença do vírus no seu organismo, recusou-se a falar sobre o assunto.

Retornei ao trabalho e, como mencionei, quando estava no Gana, havia uma lacuna na comunicação. Porém, num certo dia, atendi a um recado que a minha irmã me transmitiu: uma mulher queria falar-me e o motivo da conversa seria a vida do meu amigo. Era uma amiga dele. Durante as férias, havíamo-nos encontrado numa churrascaria no centro da cidade. Fomos apresentados um ao outro. Depois daí, revimo-nos em contato de novo, quando o nosso amigo se debilitava devido à sua saúde a cada dia mais frágil. Ela contou-me todo o esforço que fez para convencê-lo ao tratamento. Quando conseguiu que ele fosse ao hospital, a situação era mais que grave: internamento imediato, a reação ao coquetel de medicamentos, a suspensão de contato com o seu mundo. Segundo ela, ele pediu que conversasse comigo. Gostaria de que eu fosse informado sobre o que acontecia. Do outro lado do oceano, amargurei-me pela minha ausência quando ele muito precisava de ajuda, apoio e cuidados.

O silêncio entre nós foi interrompido num dia de Dezembro, quando escutamos um ao outro pela última vez. Por sorte, alcancei-o no intervalo dos efeitos colaterais dos medicamentos. A voz falhava, mas dizíamos que era problema de conexão telefônica. Ficamos certos de que ele se trataria e, quando eu regressasse ao Brasil, estaríamos juntos. Prometi: dar-lhe-ia o suporte necessário para enfrentar a doença e a sociedade. Ele riu e chamou-me de “doido” por fazer tais promessas. Rimos juntos. Sofremos juntos. Alegramo-nos em alguma medida. A sua voz falhou mais uma vez, a chamada foi interrompida subitamente, retornei a ligação… nada… mais uma tentativa… nada… Preocupei-me. Contudo, encerramos o diálogo com a esperança de que nos veríamos de novo.

A ida ao Brasil ocorreu no ano seguinte. Porém, a esperança do reencontro não logrou. O seu estado de saúde agravou-se ainda mais. Apontava-se a grande alteração que o seu corpo sofrera em tão pouco tempo. No entanto, talvez por incerteza, talvez por preconceito, ninguém nomeava a enfermidade. Aproximadamente um mês após a nossa conversa, recebo a má notícia. Noites mal dormidas precederam aquele fatídico dia. Pressentia a iminência daquela terça-feira, 22 de Janeiro de 2013.

Goto, queimor, azia… não sei qual termo melhor descreveria a sensação. A reação a uma situação desconfortável gera sintomas. No meu caso, estes localizavam-se na garganta, no estômago, na região lombar, nos ombros… no corpo todo.

Avistei o homem velho sentado sob a varanda da casa da esquina a dois quarterões da casa dos meus pais. Enxerguei-o de longe.

Cumprimentei-lhe a mão estendida. Soube que o filho mais novo, — hoje, o único vivo —, reside em Fortaleza, com uma mulher. Inferi, então, que passou a pagar a pensão da própria filha; do contrário, tinha sido preso por não a pagar. Será que está fugitivo? Se fosse este o caso, o pai demonstraria aflição, mas mostrou-se tranquilo com a mudança de residência do filho, alegando que, vez ou outra, ia visitá-lo. O senhor, por sua vez, pareceu-me bem disposto. Por pouco, não passa por turista, mas não há turismo por essas bandas periféricas da cidade.

O homem velho sentado sob a varanda da esquina a dois quarteirões da casa dos meus pais fez nenhuma menção ao dia de hoje, 4 de Outubro. A data marca o nascimento do seu filho mais velho e, coincidentemente, do meu melhor amigo, — hoje, morto por um vírus assassino e pelo preconceito do próprio pai.

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O luto machista de Ricardo

_ Boa noite, Ricardo. Eu soube o que aconteceu com o seu pai. Meus pêsames.
_ Boa noite, Cássio. Obrigado por ter vindo aqui.
_ Mas o que é que aconteceu? Ele morreu de quê, Ricardo?
_ Rapaz, na verdade, ele estava só esperando a hora. Já estava velho e muito debilitado. Papai fumava desde os vinte anos. Só parou com o câncer. E, mesmo assim, foi uma luta da família, mas principalmente de mamãe. Ela era a verdadeira sentinela: não o deixava nem tocar num cigarro. Imagine que isso foi duro para quem acendia um cigarro atrás do outro. Ainda tinha o problema do álcool. Todo dia, de manhã cedo, a cachacinha dele estava na mesa, ao lado da xícara de café. Essa era uma das excentricidades do meu velho. É uma pena, mas, além do câncer de pulmão, ele teve cirrose e ainda outros probleminhas relacionados. Não vale a pena listar agora.
_ Foram quantos anos de cigarro e álcool? Ops, brincadeirinha besta. Quantos anos ele tinha mesmo?
_ Sei… Morreu com oitenta.
_ Oitenta anos bem vividos.

_ Ah, sim. Papai tinha muito amor à vida.
_ Dizem por aí que ele bebia, fumava e farreava mais do que qualquer um. Contam que ele até foi preso por causas das farras dele. É verdade?
_ Papai era homem, tinha as necessidades dele, e eu não o censuro, nem vivo nem morto. Agora, esse povo não tem o que fazer, não? Não respeita a pessoa nem depois de morta.
_ Ei, tudo bem, vamos esquecer o povo, então. Diga-me da sua mãe. Como ela está?
_ Ah, mamãe está lá. A coitadinha está triste, não sai do fundo da rede, não quer fazer nada, nem comer direito ela come. Também, né?! Foram quase sessenta anos de casamento. E, depois que ele teve o câncer e o AVC que paralisou parte do corpo, foi ela quem ficou cuidando dele: banho, comida… tudo. Já que você falou do povo, agora eu lhe digo: apesar dos abusos dele, depois de ele ficar na cadeira de rodas e dependendo dela para tudo, ele podia até olhar para outra mulher, mas não podia andar, não tinha como ir atrás de rabo de saia.  Ao menos durante uns vinte anos, ela teve papai só para ela. Imagine: os dois ali, naquela casa, dia e noite. Ela está sentindo falta. Eu não sei o que fazer.
_ Será que a sua mãe não está com síndrome de Estocolmo ou algo parecido?
_ Como? Não entendi.
_ Ela deve estar muito sofrida, né?!
_ Não sei como ela vai viver sem ele. Tantos anos de casado! Uma vida, né?!
_ Eu não compreendo muito bem por que a sua mãe está sofrendo. Ela deveria estar aliviada, pelo menos. Ela está livre. É uma pena que já um pouco tarde, mas, até que enfim, o algoz se foi. Imagine tantos anos refém de alguém que se diz o “amor da sua vida”. Na verdade, foram anos de exploração. Assim foram e são muito casamentos. Desculpe-me a sinceridade, Ricardo. Mas a verdade é que a sua mãe ficou anos sendo empregada e enfermeira de um homem que, segundo o que corre de boca em boca, era mulherengo, vivia enchendo a cara, fumava feito um condenado… E, se uma pessoa enfiada numa relação dessas ainda sente falta, chora, sofre a perda daquele que causava tudo isso, eu acho que há um problema grande aí e que precisa de solução, melhor, de tratamento especializado. Acho que a sua mãe sofre de síndrome de Estocolmo. Eu não sou nenhum especialista, mas eu comparo alguns casamentos a uma vida em cativeiro.
_ Pode parar por aí, por favor. Chega. Acho que você está passando do limite. Seria bom você ir embora. Eu não espero que você ame o meu pai, mas eu só lhe peço que o respeite e que me respeite. Afinal, eu acabei de perder o meu pai.
_ Oh, Ricardo, desculpe-me. Pode deixar. Eu vou embora. Mas, antes, eu quero dizer uma última coisa.
_ Diga.
_ Ricardo, você é capaz de passar a mão na cabeça do seu pai, mesmo depois de ele morto, pelo simples facto de ele ser homem. Eu sugiro que, na mesma proporção, você admire a sua mãe pelo simples facto de ela ser mulher. Não permita que o luto machista o cegue, pois a morte não redime ninguém. Era só isso o que eu queria dizer.
_ Pronto. Já disse. Agora, Cássio, eu tenho de dizer uma coisa também.
_ Diga.
_ Você é muito insensível. Não respeita nem um filho que acaba de perder um pai. Era só isso o que eu queria dizer. Boa noite e obrigado pela visita.
_ Certo, Ricardo. Não seja tão parecido com o seu pai. Enxergue a sua mãe. Ela merece atenção, carinho e cuidados.
_ Certo, Cássio. Você já disse o que queria. Tchau.

Leite derramado

Ontem, pela manhã, eu derramei o leite quase todo que havia na vasilha. O que eu queria era apenas fervê-lo e preparar o meu café. Um café dos tantos que preparo e bebo quando estou em casa. Mas, sem querer, eu derramei o leite. Desastradamente encostei a caixa de leite na lateral da leiteira, que desequilibrou, virou e…

O líquido branco escorreu pelo espaço quase exíguo que existe entre o lado esquerdo do fogão e um armário sem utilidade posto no canto de uma das paredes da cozinha. Que angústia. Que angústia. Sem exclamação, repito: quanta angústia senti.

Tudo poderia ter sido diferente. Eu queria ir para a universidade cedo, dar continuidade à escrita da tese. Eu tinha terminado o meu banho, já tinha tomado o café da manhã, mas resolvi ferver o leite para preparar outro café. Mais uma xícara do tão precioso vício antes de dirigir-me à biblioteca, onde passaria o resto do dia. Era somente isso que eu desejava. Poderia ter sido diferente.

O vício de café. Café ao leite. Café em pó jogado ao fundo da xícara em que despejaria o leite quente, bem quente. Um pouco de canela em pó. Chocolate em pó também cai bem. Não havia mais chocolate. Somente canela e café solúvel. Mas o leite derramou, inundou aquele canto da cozinha. Quanta angústia eu senti naquele momento. Inquietei-me com uma sensação curiosa sobre um possível significado espiritual para aquele acontecimento. Eu não poderia, porém, ficar o dia todo ali, pressagiando o que o dia me reservaria.

Afastei o fogão. Fui à área de serviço. Regressei à cozinha, com panos, água com detergente, uma vasilha pequena. Ajoelhei… Depois de alguns minutos, tudo estava limpo. E, logo, eu devolvi o fogão ao seu lugar, passei o leite restante para outra panela, busquei a caixa de fósforos, acendi um palitinho e… pronto. Esperei ali, ao lado do fogão, atento. Está subindo, está subindo, está subindo. Desliguei.

Xícara já a postos, colher pequena rodeada por café solúvel que já havia sido depositado no fundo daquele recipiente em que, dentro de alguns minutos, eu despejaria o líquido branco recém-fervido. E assim foi: o vapor subia, o leite descia e diluía o pó preto. Alquimia realizada.

Bebi o café, vesti-me, pus computador, livro, caderno, lápis e caneta dentro da mochila. Saí de casa. Na Estação Campo Pequeno, eu apanhei o metrô e desci na Estação Cidade Universitária. De lá caminhei até a biblioteca da Faculdade de Letras, onde permaneci até quase o encerramento do expediente, com o objetivo de gerar palavras escritas e laudas para a construção de uma tese e, por conseguinte, para a conclusão do doutorado ainda neste ano acadêmico.

Eram aproximadamente 21h, quando eu havia regressado à casa. Depois de entrar, acomodei-me no sofá por um instante. Só então, busquei o celular e percebi as mensagens da minha mãe e do meu irmão e uma chamada perdida da minha irmã. Enquanto a minha mãe me enviou “Seu avô Luiz deixou de sofrer”, o meu irmão foi mais incisivo: “Ei, vovô faleceu”. O meu avô morrera havia pouco tempo. Considerando a diferença de fuso horário, se em Portugal eram 21h ou quase, no Brasil era fim de tarde.

Telefone em punho, liguei para casa, falei com o meu pai. Ele disse-me que, devido às precárias condições de saúde do meu avô, todos já esperavam que aquilo acontecesse mais cedo ou mais tarde. Vovô encontrava-se sobrevivendo com a ajuda de aparelhos há alguns dias. Os batimentos cardíacos desaceleraram desde o fim de semana, segundo me disseram. Preocupei-me com o meu pai, com a sua pressão. Ele parecia estar bem ou, ao menos, com as emoções sob controle. E eu tentei passar uma palavra de conforto e ainda, por fim, aconselhei-o a tomar conta de vovó, digo, a cuidar dela da melhor forma possível.

Desliguei o telefone. E, como comumente ocorre, passei a avaliar o peso das minhas palavras destinadas ao meu pai. Demorei alguns minutos refletindo sobre a situação do falecimento, a experiência do luto, os seus sentimentos e os meus. Então, de súbito, lembrei-me do leite derramado.

Ontem, pela manhã, além da angústia, eu poderia ter sentido uma raiva pela perda do leite. Em tempos de crise, não penso que alguém goste de desperdiçar alimento. De modo particular, eu sou um tipo que não aprecia certas perdas, a saber, o leite derramado. Porém, entre encolerizar-me pelo meu movimento brusco e desastrado e decidir pela limpeza rápida, pela otimização do tempo e pela preparação de um novo café, eu optei pela segunda alternativa. Decidi que não podia chorar pelo leite derramado.

O meu avô faleceu em Mossoró, ontem, à tarde do dia 13 de Outubro de 2015. Eu não estava lá. Mesmo que estivesse no Brasil, eu não penso que estivesse com a minha família neste momento, por questões puramente circunstanciais (trabalho, estudo etc.). Eu sinto que ele se tenha ido. Todavia, felizmente, vovó respira. Foram anos cuidando de vovô, mesmo quando ele a fazia sofrer com mulheres, bebidas e cigarros. Foram anos ao lado dele, quando ele já não tinha força nem para levantar um copo de água. Foram anos em que ela deixou de viver.

Ontem, eu não chorei pelo leite derramado. Levantei a cabeça, arregacei as mangas da camisa, fiz o que tinha de fazer e segui em frente. Antes de encerrar o telefonema para o meu pai, eu fiz questão de lembrar-lhe que vovó ainda respira. Eu espero que ele, o meu pai, os seus irmãos e as suas irmãs deem o suporte de que vovó precisa para seguir em frente e para voltar a viver.