Anojamento da Justiça


nem alegrias
nem tristezas:
aquando
juízes trabucam como
atalaias e verdugos
à mercê dos imperialismos,
aparentemente caducos, mas,
a todo momento,
de sobreaviso para o bote.
(E sempre haverá a chance de mais um,

o próximo golpe.)


nem alegrias
nem tristezas:
aquando
magistrados tramam
ódios contra
os pobres,
os oprimidos,
os subalternos e
os seus parcos representantes.


nem alegrias
nem tristezas:
aquando
togados se convertem
nos mais vis
comissários da desordem.


nem alegrias
nem tristezas:
aquando
os forenses pelejam
para encarcerar
a esperança.


anojamento da Justiça.

é ele o culpado

não tenho endereço.
também não o tens tu.
desejado foste,
mas nunca aqui chegaste.

por ti depositei seis dinheiros,
mas nunca te pus as mãos.
nunca o teu corpo abri.
nunca nas tuas partes
imprimi a marca do meu suor.

e é ele o culpado.
kapa-dois-barra-lojadelivroeminglês,
o alfarrabista do instagram,
diz ter-te-me enviado,
mas não foi correio registado.

Da penetração ao gozo

Humedecida e rompida,
a terra abrigou a estirpe.
Lá está uma pivotante
forçando as entranhas
da terra manhosa.

Nalgum dia fruirei
do seu tronco largo,
da sua sombra,
do seu fruto.

A boca lambuzada,
os olhinhos revirados,
o corpo mole e relaxado
a saborear a polpa
no calor da rede.